Parceria entre SAFE e Montaer amplia frota de aeronaves e fortalece formação de pilotos em Feira de Santana
Feira de Santana dá mais um passo no fortalecimento do setor aeronáutico brasileiro. Nesta segunda-feira (16), foi anunciada uma parceria estratégica entre a SAFE Escola de Aviação e a fabricante Montaer para a aquisição de novas aeronaves utilizadas na formação de pilotos.
O acordo prevê a ampliação da frota com aviões de fabricação nacional e reforça o papel do município como um polo em crescimento na aviação, além de abrir novas possibilidades de formação para pilotos brasileiros e estrangeiros. O evento aconteceu na sede da Montaer Aeronaves, no bairro Aeroporto.
A parceria envolve aeronaves do modelo Montaer MC01, produzidas em Feira de Santana e utilizadas pela SAFE, escola de aviação sediada em São José dos Campos. A iniciativa também está ligada a um projeto internacional que prevê a vinda de alunos estrangeiros para treinamento no Brasil.

Foto: Ed Santos/Acorda Cidade
O proprietário da SAFE Escola de Aviação, José Souza Ramos Júnior, destacou o caráter inovador da instituição e o impacto da parceria para a indústria nacional.
“A SAFE é uma escola inovadora no Brasil, a gente foi a primeira escola a utilizar aeronaves da Montaer, que é a área especial fabricação brasileira. Hoje, basicamente 80% das nossas aeronaves são nacionais, são de produção nacional. E a gente está anunciando aqui numa pintura especial a primeira aeronave com capacidade de voar em condição instrumento do Brasil”, afirmou.
Segundo ele, a ampliação da frota representa um marco para o setor.
“Isso é um divisor de águas para a indústria nacional, porque a gente está encomendando hoje aqui 10 aviões. Nós já temos quatro e estamos encomendando mais dez. Isso é um desenvolvimento aqui para a indústria, para a Montaer, e em função de um projeto que a gente está fazendo junto com a China. Tem muitos alunos brasileiros, mas a gente está fazendo uma parceria com a China trazer alunos chineses para treinar aqui no Brasil porque a gente tem um país muito grande, com um clima bom, então a gente está bem animado com esse projeto e a Montaer faz parte do projeto como parceira da SAFE”, explicou.
Aeronaves modernas na formação de pilotos
De acordo com Ramos Júnior, os novos aviões representam um avanço tecnológico na formação de pilotos, substituindo aeronaves mais antigas utilizadas tradicionalmente na aviação de instrução.
“Essas aeronaves são muito modernas. A gente tem hoje uma frota muito antiga de aviação de instrução, avião da década de 50. As nossas aeronaves são todas agora dos últimos 4 anos, e o painel super moderno, que a gente chama de glass cockpit, é o painel todo digital, para já deixar esses futuros pilotos prontos para aviação moderna, que é o que hoje a gente tem nas grandes companhias”, disse.
As aeronaves possuem dois lugares, um para instrutor e outro para aluno e autonomia de até sete horas de voo, em uma média de ate 180 KM por hora.
O empresário também destacou o impacto da operação em Feira de Santana.
“Nós já voamos 12 mil horas de voo. Só para você ter ideia, isso em termos de pouso e decolagem, fazemos mais de 30 mil pouso. Formamos mais de 100 alunos que já estão empregados nas companhias aéreas nacionais hoje. Então, é um ciclo virtuoso da indústria nacional para a formação de pilotos para o Brasil e para o mundo”, afirmou.

Foto: Ed Santos/Acorda Cidade
Formação pode custar cerca de R$ 150 mil
Segundo Ramos Júnior, o processo de formação começa com o curso de piloto privado e avança até o nível comercial e de voo por instrumentos.
“Ele começa pelo curso de piloto privado, que é o curso básico que tem na formação, é onde ele vai aprender. Então, ele tem a parte teórica, que dura em média de três meses com a gente, depois ele começa a parte prática, já nessas aeronaves, onde ele aprende, faz o primeiro voo sozinho, ele se forma aproximadamente com 40h de voo, piloto privado, depois ele entra no piloto comercial”, explicou.
Ao final da formação, o aluno já pode atuar profissionalmente. Segundo Ramos Júnior, com aproximadamente 150h o piloto está apto para voar comercialmente. Ele também destacou a redução de custos proporcionada pelo uso de aeronaves nacionais.
“O cara do zero, fazendo teórico, pagando todos os exames, até o final da instrução é por volta de R$ 150 mil. Mas o salário inicial dos pilotos é muito bom, por volta de R$ 10 mil”, afirmou.
Indústria aeronáutica feirense
Fundada em Feira de Santana, a Montaer tem expandido sua atuação no mercado nacional e internacional. O proprietário da empresa, Bruno de Oliveira, relembrou o início da trajetória da fábrica ainda em 2013.

“Eu já venho de uma família aeronáutica, que vem do meu avô, o sonho, a paixão pela aviação. Em 2018, nós conseguimos a nossa aceitação junto à Anac que nós somos a primeira indústria nacional a conseguir essa aceitação com aeronave de asa alta. Conseguimos nos Estados Unidos, mandei avião para a Coreia do Sul também, fizemos a única aeronave leve esportiva adaptada para deficiente físico, que nós formamos esse deficiente juntamente com a escola SAFE no ano passado, tivemos essa honra. Então tudo aqui de Feira de Santana para o mundo, muito orgulhoso por isso aí, e levar o nome de Feira para os quatro cantos do mundo”, afirmou.
As aeronaves produzidas pela empresa têm baixo custo operacional e são utilizadas tanto por escolas de aviação quanto por proprietários privados. Quem tiver interesse em adquirir uma aeronave do grupo pode entrar em contato para a empresa. Atualmente, a Montaer conta com os modelos, MC01, MC01 Fest (lançamento desde ano) e o MC04 (com 4 lugares).
“Segurança total. Esse aqui, por exemplo, é equipado com paraquedas balístico. O que dá mais segurança. É igual a airbag de carro, você paga para não usar, mas ele está ali”, explicou.
Os compradores das aeronaves são variados e incluem escolas de aviação, fazendeiros, profissionais liberais, médicos e engenheiros, especialmente pessoas que precisam se deslocar com frequência em trajetos de curta distância. Em relação às vendas, a maior parte das aeronaves ainda é comercializada no mercado brasileiro, embora a empresa já tenha unidades vendidas para países como Estados Unidos e Coreia do Sul, como já explicou Bruno de Oliveira.

Perspectivas para o Aeroporto de Feira ✈️
Durante o evento, o diretor da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Antônio Matias, destacou a importância do crescimento do setor aeronáutico na cidade. Ele explicou que a Anac é responsável por certificar e autorizar aeronaves no Brasil. Cada avião precisa passar por avaliações técnicas, atender normas internacionais de segurança e ser registrado pela agência antes de poder operar no país.
“É uma felicidade para mim estar voltando à Feira de Santana, num momento tão especial, poder participar do momento em que uma fábrica de aviões, uma montadora de aviões, se desenvolve aqui da nossa cidade. Eu acho que pode se tornar aqui com os avanços tidos com a regulação, as possibilidades que a Anac tem permitido para o setor crescer, expandir, gerar mais emprego, gerar mais oportunidade para o povo de Feira de Santana”, disse.
O diretor também comentou sobre a possibilidade de ampliação das operações no Aeroporto de Feira (Aeroporto Governador João Durval Carneiro), incluindo voos comerciais. Segundo Matias, o Aeroporto de Feira passa por um processo de evolução estrutural. Ele explicou que o equipamento funciona em um modelo de convênio com o Governo do Estado, com participação da prefeitura, e que relembrou que, recentemente, houve a ampliação da pista, uma obra considerada importante para permitir a operação de aeronaves maiores, embora ainda precise de certificação e validação.

“Eu acredito firmemente que com muito diálogo, com muita interação entre todos os atores, entre a agência reguladora, entre órgãos governamentais e também as companhias aéreas, a gente pode achar uma solução que faça viável a gente ter os voos e o atendimento de uma malha aérea que o Feira de Santana merece”, afirmou ao Acorda Cidade.
O diretor também afirmou que, com a conclusão e certificação das melhorias na pista, o aeroporto poderá receber aeronaves utilizadas na aviação comercial, como modelos da Embraer, além de aviões como Boeing 737 e Airbus A320, que têm capacidade média entre 180 e 190 passageiros. No entanto, ressaltou que a operação depende principalmente da demanda e do interesse das companhias aéreas em incluir Feira de Santana na malha aérea.
Com informações do repórter Ed Santos do Acorda Cidade