Em Feira de Santana, oposição sela união e lança chapa de ACM Neto para Eleições 2026

0

A oposição baiana deu um passo estratégico rumo às eleições de 2026 ao oficializar, na noite desta segunda-feira (30), em Feira de Santana, a chapa que disputará o Governo do Estado contra a base do governador Jerônimo Rodrigues. Com seis meses de antecedência, o ato político foi liderado pelo prefeito José Ronaldo de Carvalho e reuniu lideranças de diversas regiões, consolidando a unidade do grupo, encabeçado pelo partido União Brasil.

A composição traz o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União) como pré-candidato ao governo, ao lado do prefeito de Jequié Zé Cocá (PP) como vice. Para o Senado, foram anunciadas as pré-candidaturas de João Roma (PL) e o senador Angelo Coronel (Republicanos).

O evento, marcado por forte presença política, reuniu prefeitos, parlamentares e dirigentes partidários, reforçando o discurso de unificação da oposição no estado e antecipando, na prática, o ritmo da disputa eleitoral. A escolha de Feira de Santana como palco não foi casual: a cidade aparece como vitrine estratégica para projetar força no interior e tensionar diretamente a base do governador.

Foto: Divulgação

“Eu tenho lado e não mudei”, confirma Zé Ronaldo

Em tom firme e alinhado ao posicionamento oposicionista, José Ronaldo (União), deixou para trás rumores de aliança com Jerônimo Rodrigues e afirmou lealdade política e compromisso com o grupo.

“A conveniência não vai vencer nunca a minha história. Quem construir uma caminhada, não abandona no meio do caminho. E eu estou aqui hoje para dizer isso com clareza. Eu tenho lado e não mudei. E estou do lado porque conheço, porque confio, porque sei que a Bahia pede mais. Mas, mais do que estar ao lado, afirmo a todos, eu estou para trabalhar”, declarou José Ronaldo em seu discurso.

O prefeito afirmou que seu lugar é ao lado do povo e deve ajudar a construir a vitória do grupo sempre que possível, conciliando com sua gestão na Princesa do Sertão. Ele também destacou o peso simbólico da composição e o protagonismo do interior na estratégia eleitoral.

“Essa escolha que está sendo feita agora diz muito sobre o tempo novo que a Bahia começa a construir. A decisão de trazer o interior para dentro da chapa. Não é só uma escolha política. É um reconhecimento da força do interior, de quem constrói essa Bahia todos os dias”, afirmou.

“Não sei por que escolheram Feira, mas o fato de escolher Feira para mim, me agrada totalmente. Feira não é só uma cidade grande. Feira é símbolo de trabalho, de crescimento. Símbolo da força e resistência do interior da Bahia”, acrescentou José Ronaldo.

Ao assumir o papel de articulador político do grupo, o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União), reforçou o discurso de unidade como condição para a vitória. Dando boas vindas a Zé Cocá (PP), o prefeito reforçou o peso político da escolha do prefeito de Jequié para atrair o eleitor do interior.

“Zé Cocá se reelegeu com 92% dos votos em Jequié. Bem-vindo, Zé Cocá! Uma das maiores votações do Brasil, de uma cidade que tem história nesse estado. Um quadro público extremamente qualificado, mostrou todo o seu potencial e capacidade à frente da Prefeitura de Lafayette Cotil, depois como deputado estadual, prefeito de Jequié e presidente da UPB. Portanto, um representante legítimo e inato do interior da Bahia”, declarou Bruno Reis.

“Eu desejei mais uma vez ter Zé Ronaldo ao meu lado”, diz ACMN Neto

Já o pré-candidato ao governo, ACM Neto, adotou uma linha de discurso baseada em autocrítica e reposicionamento estratégico, transformando a derrota anterior em ativo político. Ao direcionar seu discurso para o anfitrião, ACM disse que não vai cometer os mesmos erros das eleições passadas.

“A derrota ela ensina muito. Eu diria que ela ensina muito mais do que a vitória. Eu vejo hoje o quanto eu aprendi. Eu vejo hoje o quanto me capacitei. O quanto estou mais experiente e mais preparado do que em 2022. decisão de anunciar essa chapa com seis meses de antecedência para a eleição. A decisão da escolha pelos nomes mais fortes, com densidade política e com força eleitoral. Tudo isso são provas do aprendizado. Eu tenho toda a humildade da vida para dizer a vocês, errei. Olho para trás e vejo que errei. E de alguma forma, é claro, esses erros acabaram contribuindo para o resultado daquela eleição.”

“E como nós estamos agora fazendo diferente e fazendo melhor, eu tenho certeza que Deus vai nos dar esta vitória em outubro desse ano”, afirmou ACM.

O pré-candidato ao governo ACM Neto também revelou bastidores da construção da chapa e destacou a influência de José Ronaldo na definição do nome para vice.

“Eu estive com Zé no final do ano passado e naquela conversa eu queria sentir de Zé qual era o pensamento dele sobre a possibilidade dele disputar essa eleição em 2026 e ali eu vi o quanto esse homem ama Feira de Santana e o quanto ele é um homem de palavra. Ele disse, Neto, 2024, eu tive uma eleição muito dura, eu sei, porque eu participei aqui ao lado dele. Ele disse, Neto, eu me comprometi com o povo de Feira que eu não renunciaria que eu ficaria até o fim do meu mandato, que eu governaria os quatro anos para os quais eu fui eleito. E eu não posso faltar com essa palavra. Eu não posso voltar atrás desse compromisso”, revelou ACM durante seu discurso.

“Eu desejei mais uma vez ter Zé Ronaldo ao meu lado, mas os conselhos dele foram fundamentais para que nós amadurecêssemos o caminho correto para que nós escolhêssemos a melhor direção e foi com a inspiração de Zé Ronaldo que a gente foi buscar este querido amigo que hoje é pré-candidato a vice-governador da Bahia, José Cocá.”

“Ele reúne todas as qualidades para estar comigo nessa luta. Ele tem experiência política, ele tem experiência de gestão e administrativa, ele conhece a realidade de perto das pequenas e das grandes cidades… Ele é a cara, a vez e o gesto da presença do interior, da importância que nós queremos dar ao interior”, acrescentou Neto sobre a escolha de Cocá.

Com a largada antecipada, a oposição busca ocupar território político no interior, consolidar palanques regionais e impor narrativa de mudança, desenhando desde já uma eleição de alta polarização para os baianos.

Com informações do repórter Ney Silva do Acorda Cidade