Petróleo despenca após EUA e Irã concordarem em um cessar-fogo de duas semanas
O preço do petróleo despencou na noite desta terça-feira (7) após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar uma suspensão de duas semanas nos ataques ao Irã.
O tipo Brent, referência global, chegou a recuar 16%, para cerca de US$ 94 o barril — após fechar perto de US$ 110. Já o WTI (West Texas Intermediate), usado como referência nos EUA, teve queda na mesma proporção, abaixo de US$ 97 — no maior recuo em quase seis anos, segundo a Bloomberg.

O otimismo se acentuou após o Irã confirmar o acordo de cessar-fogo temporário e indicar que permitirá a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do petróleo no mundo, por um período inicial de duas semanas.
Em sua declaração, Trump afirmou que a trégua bilateral seria condicionada justamente à reabertura de Ormuz. A região registrou forte queda no fluxo de navios petroleiros desde o início da guerra, após bloqueio imposto pelo Irã — o que provocou a disparada dos preços.
- 🔎 Conforme mostrou o g1, a alta nos custos de energia desagrada o eleitorado dos EUA e pode azedar a disputa legislativa para o partido de Trump em novembro deste ano, quando os americanos vão às urnas para eleger governadores, deputados e senadores. Nesse sentido, a liberação do Estreito de Ormuz é crucial para conter o custo do petróleo.
O cessar-fogo temporário também gerou impacto positivo nos mercados. Em Wall Street, os contratos futuros do S&P 500 subiram mais de 2%, enquanto o dólar recuou de forma generalizada — após ter atuado como principal refúgio dos investidores durante a turbulência.
Na Ásia, os contratos futuros também apontavam para ganhos generalizados. A melhora ocorre após um período de pressão sobre os mercados, causado pela guerra e pela alta dos preços de energia.
Suspensão do ultimato
Trump havia dado até as 21h desta terça-feira (horário de Brasília) para que o Irã chegassem a um acordo e reabrisse o Estreito de Ormuz.
O presidente dos EUA tinha prometido destruir pontes e usinas de energia do Irã. Mais cedo, ele afirmou que uma “civilização inteira” iria morrer com os ataques previstos para esta terça.
Depois, Trump disse que resolveu adiar os ataques após um pedido de autoridades do Paquistão, que estão mediando conversas indiretas entre os EUA e o Irã.
“Concordo em suspender o bombardeio e o ataque ao Irã por um período de duas semanas. Este será um CESSAR-FOGO de dois lados!”, afirmou.
O presidente norte-americano alegou que todos os objetivos militares dos EUA no Irã já foram cumpridos e que as negociações para um acordo definitivo de paz estão avançadas.
Irã confirma
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, confirmou que um acordo entre os dois países havia sido fechado. Segundo ele, Teerã vai suspender ações defensivas desde que os ataques contra o país sejam interrompidos.
Araghchi disse ainda que a passagem pelo Estreito de Ormuz será segura durante a trégua, com algumas condições.
“Por um período de duas semanas, será possível a passagem segura pelo Estreito de Ormuz, mediante coordenação com as Forças Armadas do Irã e com a devida consideração às limitações técnicas.”
O ministro iraniano também declarou que os Estados Unidos pediram negociações com base em uma proposta de 15 pontos e aceitaram o plano de 10 pontos do Irã como base para o diálogo. As conversas devem começar na sexta-feira (10), no Paquistão.
A TV estatal do Irã classificou o acordo como um “recuo humilhante de Trump” e disse que os EUA aceitaram os termos de Teerã. A mídia iraniana também afirmou que a trégua não representa o fim da guerra.
Segundo Teerã, a proposta de paz enviada pelo país exige o fim das sanções dos EUA contra o Irã, o pagamento de compensação integral e a liberação de todos os ativos iranianos congelados.
G1