Feira de Santana volta a ter dados meteorológicos próprios após retomada da Estação Climatológica da Uefs
A Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) voltou a registrar e emitir oficialmente os dados de monitoramento do tempo e do clima no município. Com a reativação da estação meteorológica automática vinculada ao Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), instalada no campus universitário, a equipe da Estação Climatológica retomou a publicação regular dos Boletins Meteorológicos Mensais.
A paralisação da coleta ocorreu no ano de início da pandemia de covid-19, quando as atividades presenciais foram suspensas. Meses antes, o sistema já havia enfrentado uma interrupção técnica devido a uma descarga elétrica que danificou equipamentos. O cenário foi agravado por reestruturações no sistema meteorológico nacional que resultaram no fechamento de unidades regionais.

O sistema automático voltou a operar no dia 29 de julho. Desde então, parâmetros como temperatura máxima e mínima, volume de chuva, velocidade e direção do vento, pressão atmosférica, insolação, umidade relativa do ar e ponto de orvalho vêm sendo registrados hora a hora.
A coordenadora da Estação Climatológica, professora Lilian Graicy, destaca a importância do retorno das medições no próprio município de Feira de Santana. “Antes de a estação voltar a funcionar, os dados de previsão do tempo que estavam sendo gerados baseavam-se na estação de Cruz das Almas, que tem um clima totalmente diferente do nosso. Lá o clima é úmido e nós já estamos no limite entre o subúmido e o semiárido. Por isso, essa previsão, tomando como base Cruz das Almas, não correspondia exatamente ao que acontecia aqui. Essa é a grande importância da retomada desses dados”, explica.

Além de monitorar os parâmetros em tempo real, a equipe da unidade compila e estrutura as medições para que as informações possam ser consultadas de forma clara e
acessível. “Os boletins mensais apresentam temperaturas máximas e mínimas e a comparação com a média histórica. Apresentam a precipitação acumulada por cada dia no mês e quanto choveu em relação à média — se foi abaixo ou acima. Além disso, trazemos informações sobre direção preferencial e velocidade do vento, pressão e radiação. Fazemos neste boletim um resumo mensal e essa comparação em relação ao histórico”, detalha Lilian Graicy.
Localização estratégica e relevância para pesquisas
A posição geográfica de Feira de Santana torna os dados locais ainda mais cruciais para a compreensão do clima regional. Segundo a vice-coordenadora da Estação Climatológica, professora Rosângela Leal, o município situa-se em uma zona de transição singular. “Feira de Santana fica na borda entre o clima úmido e o semiárido. As informações de Feira são fundamentais porque, se estudadas, permitem entender como ocorre essa mudança do úmido para o semiárido. Essa estação é a única que tem essa posição, porque ou as outras estações são úmidas, ou estão no semiárido”, esclarece.
Foto: Edvan Barbosa /Ascom/Uefs
A precisão dos dados locais apoia diversas frentes acadêmicas na Uefs, abrangendo pesquisas em agronomia, biologia, engenharia civil, arquitetura e saúde pública. “Nós estudamos o problema da erosão provocada pela chuva, que no semiárido é muito grave. A gente dá um suporte grande para a área de agronomia, para fazer calendário agrícola e saber a época de plantio. Também temos aplicação para a área de saúde e ambiente construído, pois, para a nossa região, com o calor que temos, a estrutura construtiva precisa ser específica para a circulação do vento e o nível de insolação”, conta Rosângela Leal.
A coordenadora Lilian Graicy complementa apontando a necessidade de continuidade dos registros para a consolidação das análises científicas. “A gente só faz pesquisa em climatologia com dados de 30 anos, precisamos ter 30 anos de coleta de dados. Quanto mais esses dados forem realmente do local, mais representatividade a gente tem sobre essa análise climática”, defende a docente.
Prestação de serviços e histórico
Implantada em parceria com o Inmet em 1992, a Estação Climatológica da Uefs fornece dados diários de precipitação, temperatura, pressão, umidade, vento (rajada, direção e velocidade), ponto de orvalho e radiação global, disponíveis tanto para a comunidade acadêmica quanto para o público externo.
Além de dar suporte a projetos de extensão e pesquisa da universidade, o equipamento atende a comunidade em geral, com atenção especial às escolas públicas do município e da região. A unidade também elabora laudos de danos climáticos e fornece declarações formais sobre eventos climáticos extremos ocorridos em sua área de cobertura.
Os Boletins Meteorológicos Mensais podem ser consultados diretamente no portal oficial da Uefs, na página do Departamento de Tecnologia (DTEC), na aba da Estação Climatológica. Adicionalmente, as medições automáticas em tempo real ficam disponíveis para consulta pública no mapa de estações do portal do Inmet.
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