Jovem da periferia de Salvador é aprovado em Medicina na USP em 1º lugar

O jovem morador do bairro de Águas Claras, em Salvador, Wesley de Jesus Batista, de 23 anos, foi aprovado em 1º lugar para o curso de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), por meio do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A USP é uma das universidades mais prestigiadas da América Latina, e o curso é um dos mais concorridos do Brasil.

Wesley de Jesus Batista, estudante da rede pública de ensino e criado na periferia da capital baiana, sempre investiu na educação como ferramenta para transformar a própria realidade. Por ter asma crônica e ter tido uma infância marcada por muitas idas ao médico, o jovem afirma que a profissão ficou marcada em sua vida pela importância social do trabalho.

“Nesse vai e vem para o hospital e no contato com essas pessoas de jaleco branco, eu comecei a internalizar a importância dessa profissão. A partir dessa vivência eu comecei a vislumbrar a medicina e me ver profissionalmente realizado [nela]”, disse ele, em entrevista ao g1.

Segundo informações do portal g1, Wesley é filho de um pedreiro e uma empregada doméstica, e essa conquista alcançou os pais também, que se emocionaram com o feito do filho. Em vídeo publicado nas redes sociais, o jovem compartilhou o momento em que descobriu a aprovação. O vídeo, que viralizou, fez com que a história de Wesley também viralizasse, o que tem gerado muitas mensagens e ligações.

“As emoções estão à flor da pele. A incredulidade veio, ela bateu, mas depois que eu vi o resultado e vi que era realmente eu que estava na lista, fiquei em choque. Não esperava que tivesse toda essa repercussão!”, disse.

No entanto, chegar até o primeiro lugar não foi simples: Wesley tão tinha computador em casa, e estudava apenas com livros didáticos da escola e um celular antigo para acessar aulas e conteúdos de estudo. Todos os dias, o jovem acordava às 5h da manhã para estudar, e continuava na escola para utilizar o computador ou realizar simulados do Enem.

Rotina até a aprovação

“Vindo do ensino público eu sabia que havia muitas lacunas, então comecei com organização mesmo. Organizei um cronograma com as temáticas que eu tinha que trabalhar. […] Eu estudava de cinco da manhã até 23 horas da noite, às vezes entrava madrugada adentro e dormia com a cara no livro. Minha mãe me acordava no dia seguinte, eu estudava na mesa da cozinha nessa época”, relembra.

“Eu ia para a escola nos três períodos do dia. Saía de manhã de casa para ir para a escola, depois voltava para casa, era 30 minutos andando, de tarde eu retornava para escola para estudar e de lá eu ficava para a noite. Utilizava a sala de vídeo e informática, e um notebook que o diretor oferecia para estudar lá. Esse foi o início da minha trajetória para contornar todos os problemas que eu tinha e já conseguia reconhecer”

Todo o esforço de Wesley rendeu notas máximas em três das quatro áreas avaliadas no exame; o jovem acertou todas as questões de matemática, ciências humanas e ciências da natureza.

Sendo o primeiro da família a chegar ao ensino superior, o rapaz entende que essa conquista também tem um peso coletivo. Por isso, quer ser um exemplo para outros jovens de periferia.

“Eu ia para a escola nos três períodos do dia. Saía de manhã de casa para ir para a escola, depois voltava para casa, era 30 minutos andando, de tarde eu retornava para escola para estudar e de lá eu ficava para a noite. Utilizava a sala de vídeo e informática, e um notebook que o diretor oferecia para estudar lá. Esse foi o início da minha trajetória para contornar todos os problemas que eu tinha e já conseguia reconhecer”

Todo o esforço de Wesley rendeu notas máximas em três das quatro áreas avaliadas no exame; o jovem acertou todas as questões de matemática, ciências humanas e ciências da natureza.

Sendo o primeiro da família a chegar ao ensino superior, o rapaz entende que essa conquista também tem um peso coletivo. Por isso, quer ser um exemplo para outros jovens de periferia.

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