Os corpos de Milene Silvania Ramos dos Santos e de seu filho Guilherme Dias Matias foram sepultados na manhã desta terça-feira (14) em Feira de Santana. Mãe e filho morreram após terem sido atropelados por um veículo do modelo Toyota Hilux na noite de domingo (12). Eles estavam em uma moto com a filha mais velha de Milene, Émile Lavínia Ramos dos Santos, de 11 anos, que segue internada pois teve uma fratura no crânio.
Ao Acorda Cidade, o esposo de Milene e pai de Guilherme, Bruno Matias disse que é um sentimento que não pode ser explicado com palavras.
“Um sentimento que a gente fica muito triste, a gente chora, relembra das coisas. Não estou pegando nem no celular para não poder ver fotos, o pessoal está mandando mensagens, o pessoal está mandando uns pêsames para a gente e tal. Mas o sentimento também de justiça, quem fez isso com eles, com minha esposa e meu filho”.
Perguntado sobre a última vez que conversou com a esposa e o filho, Bruno explicou que a mulher havia saído para trabalhar no domingo de manhã. Ela retornou para casa e saiu com as crianças, Bruno não estava no imóvel nesse momento.
Por volta das 22h, enquanto voltava para casa, o atropelamento aconteceu. Ele também falou que ficará na casa de sua mãe durante um tempo, pois será muito difícil voltar para o local onde vivia com a esposa e o filho.
“Eu como pai estava ali no canto, pensando, mas triste com tudo o ocorrido. As meninas estavam ali pedindo por justiça e tal. Mas é o que eu peço também, por justiça”.
“Trecho é muito ruim para trafegar”
Sobre a reclamação de moradores quanto a falta de sinalização no local do acidente, Bruno afirmou que não apenas o trecho, mas toda a Avenida Sérgio Carneiro é irregular. Segundo ele, muitos veículos como carretas passam pela avenida, que não tem acostamento.
“O trecho onde foi o acidente é muito buraco, ondulado. Sempre estou passando por lá, é o acesso que a gente tem. Vou trabalhar, vou levar na escola, busco, é o acesso que a gente tem. E o trecho é muito ruim para trafegar”.
No momento do acidente, Bruno estava chegando em casa, pois havia levado outro filho para a igreja, e estava aguardando a esposa chegar com as crianças, quando recebeu uma ligação informando sobre o acontecido.
Irmã de Milene
Monica Silvania Ramos dos Santos, irmã de Milene e tia das crianças, informou que Émile está estável e fora de perigo. De acordo com Monica, a sobrinha pergunta diariamente sobre a mãe e o irmão. Por recomendação médica, a menina ainda não recebeu a notícia da morte de Milene e Guilherme.
“Está conversando, está falando. Perguntando 24 horas, quando a gente chega dentro do hospital pela mãe, pelo irmão. ‘Minha tia, cadê minha mãe? Minha tia, cadê minha mãe? Por que minha mãe não veio me buscar ainda? Como é que está aqui?’ E a gente não pode, até o momento, não pode falar nada, não pode dizer nada que a mãe dela está sendo sepultada hoje junto com o irmão dela, o que é uma dor”.
Monica também afirmou que Émile se lembra do acidente. Até então não há expectativa de alta hospitalar.
“Eu não tenho coragem de dizer. Porque como eu vou chegar para minha sobrinha e dizer para minha sobrinha de 11 anos que a mãe dela morreu, que o irmão dela morreu, que a mãe dela era uma mãe super protetora. Como eu vou chegar e dizer para minha sobrinha que a mãe dela não está mais aqui para poder proteger ela 24 horas? Como eu vou dizer isso?”
Além de explicar que o sepultamento aconteceu na terça-feira por conta de documentações e outras questões, Monica pediu por justiça pela irmã e pelo sobrinho.
“Dar o ombro amigo é fundamental”
O pastor da igreja que Milene frequentava, Adilson Pereira, falou que é um momento que mesmo acontecendo diariamente, nunca é algo esperado, especialmente em uma situação como essa.
A gente vê partidas de pessoas todos os dias, mas a nossa alma não se acostuma com essa ideia e, sobretudo, quando a estética da morte é desse tipo, né? Vitimando mãe e filho ao mesmo tempo é algo que a gente nunca espera ver. Então, questionamos muitas coisas e precisamos de respostas em tempos como esses. A vantagem de ter conhecimento das coisas de Deus é que a gente tem resposta na bíblia, a palavra de Deus que nos traz a consolação que nós precisamos”.
Segundo o pastor, a comunidade da igreja tem focado em dar apoio, consolação, incentivo e força aos familiares de Milene e Guilherme, mas principalmente, um ombro amigo.
Uma hora dessas palavras não ajudam, mas dar o ombro amigo é fundamental num momento tão trágico como esse. […] As pessoas questionam o porquê que acontece isso com pessoas tão boas. É muito comum esse tipo de pergunta que se faz quando acontecem situações com pessoas como Milene e como Guilherme, que eram mãe e filho, se amavam muito, expressavam isso o tempo todo. Inclusive no dia do acontecimento estavam vindo de um parque de diversões e tudo mais. Mas o bom é que a Bíblia nos dá respostas para tudo isso.”.
Com informações do repórter Ed Santos, do Acorda Cidade