Estudante de 13 anos perde a visão após ser agredida por colega com pedaço de madeira em escola de Feira de Santana
Uma estudante de 13 anos do Colégio Estadual Hilda Carneiro, localizado no Conjunto Feira V, bairro Mangabeira, em Feira de Santana, perdeu a visão do olho esquerdo, após ser agredida com um bloco de madeira maciça por um colega que estuda na mesma instituição. O caso aconteceu na última segunda-feira (19), conforme informou a família nesta quarta-feira (21) ao Acorda Cidade.
De acordo com a mãe da adolescente, que por questões de segurança, preferiu não se identificar, a filha estuda no período integral da escola, e após o almoço se desentendeu com o autor, que segundo informações recebidas pela família, possui o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e vinha praticando bullying com a vítima há algum tempo.
O fato também foi relatado pelo tio da adolescente, que já havia sinalizado a direção da unidade escolar sobre o abuso psicológico. Na segunda-feira (19), houve um desentendimento entre os dois estudantes, que resultou no caso de agressão e perda da visão pela garota.
“Esse caso aconteceu depois do almoço. A turma dela é tempo integral, e ocorreu perto das 15h. Ela circulava dentro da própria escola, quando houve o desentendimento com o colega, que nem podemos chamar de colega, ela deu um tapa nas costas dele, e ele pegou um pedaço de madeira e arremessou contra ela, atingindo o olho direito”, relatou a mãe, ainda em estado de choque e indignação.
Após ser atingida com o objeto, a adolescente foi levada ensanguentada para a secretaria escolar. Lá, funcionários tentaram estancar o sangue e acionaram a família.
“Me ligaram da escola, fui lá, peguei minha filha, levei para a Upa (Unidade de Pronto Atendimento) da Queimadinha, e de lá encaminharam para o HEC (Hospital Estadual da Criança), onde foram feitos alguns exames. Como na unidade não havia um especialista para o caso dela, ela foi regulada rapidamente para o HGE (Hospital Geral do Estado), em Salvador, onde foi feita a cirurgia”, contou a mãe ao Acorda Cidade.
Adolescente terá que usar prótese
A mãe da estudante afirmou que devido às sequelas da agressão, a filha deverá ser acompanhada por um psicólogo e terá que colocar um olho artificial.
“A médica falou que vai precisar de acompanhamento psicológico e depois de três meses dá para colocar uma prótese, para ficar com um olho artificial. Ela está abalada, e a família toda está destruída. Ninguém dorme. Ela só faz chorar. O olho esquerdo que está bom está inchado de tanto chorar. Você deixa seu filho na escola e acha que está seguro e acontece uma coisa dessa. Ela só tem 13 anos.”
A genitora disse que ainda não registrou um Boletim de Ocorrência (BO), pois irá aguardar a finalização do relatório médico. “Só vão dar no final do atendimento no hospital. Vou pedir um relatório, que o advogado já me orientou. E os alunos, as coleguinhas dela estão todos revoltados e querem até fazer protesto.”
Família busca justiça
De acordo com a mãe da vítima, ela solicitou o apoio de um advogado e irá buscar por justiça.
“Disseram que o menino tem autismo, na mesma faixa etária que ela, com 13 anos. A mãe entrou em contato comigo, prestando sentimentos e se colocando à disposição, mas eu quero justiça. Eles e a escola vão ter que responder. Se o menino tem autismo ou algum problema era para terem dado atenção e monitoramento a esse menino, pois já era agressivo”, declarou.
O que diz o NTE sobre o caso
O Núcleo Territorial de Educação do Portal do Sertão (NTE 19) informa que, diante da ocorrência no Colégio Estadual Hilda Carneiro, a equipe do colégio adotou todas as medidas para assistência imediata, acionando a família e acompanhando a estudante até a UPA e depois ao Hospital da Criança.
A direção da escola acionou o Conselho Tutelar, que está acompanhando o caso, e o Conselho de Classe.
O NTE já designou a equipe multidisciplinar, com assistente social e psicólogo, para realizar acolhimento e escuta ativa junto às famílias e à comunidade escolar.
A assessoria do Comitê Estadual Intersetorial de Segurança nas Escolas e nos Espaços Educacionais (Cise) e uma assistente social da Secretaria da Educação do Estado também estiveram no Hospital Geral do Estado (HGE) para prestar assistência à estudante e à sua família e continuam à disposição para acompanhamento.
Informa, ainda, que as escolas estaduais contam com um Protocolo de Apoio e Proteção Escolar, que define processos e procedimentos para a promoção da segurança e da cultura de paz nas escolas.
A aplicação do protocolo é acompanhada pelo Cise. O Cise integra órgãos públicos e privados e representantes da sociedade civil, que atuam coletivamente, para previnir a violência no ambiente escolar.
Ascom NTE Com informações da jornalista Daniela Cardoso, do Acorda Cidade.